quinta-feira, 6 de julho de 2017

Servidores recebiam 'mensalinho' para fraudar licitação em Saboeiro, diz MP; prejuízo é estimado em R$ 5,4 milhões


Servidores recebiam 'mensalinho' para fraudar licitação em Saboeiro, diz MP; prejuízo é estimado em R$ 5,4 milhões


Operação em Saboeiro prendeu quatro suspeitos de uma série de crimes; dois estão foragidos (Foto: MPCE/Divulgação)

Servidores da comissão de licitações de Saboeiro, no interior do Ceará, são suspeitos de receber um "mensalinho" de R$ 2 mil de empresários para manter um esquema de fraude em licitação em notas de combustíveis, segundo levantamento da operação Avalanche, realizada nesta última quarta-feira (4) pelo Ministério Público e Polícia Civil.

Quatro pessoas estão presas e duas estão foragidas - entre elas Uriel de Alencar Rocha Santos Martins, filho do prefeito de Saboeiro, José Gotardo dos Santos Martins.

O esquema gerou um prejuízo estimado de R$ 5.441.960,80, segundo o promotor de Justiça Hebert Gonçalves.

O G1 tentou entrar em contato com o prefeito da cidade e com a sede da prefeitura até as 19h desta quarta, mas as ligações não foram atendidas. O G1 não localizou a defesa do filho do prefeito.

Ainda conforme o promotor, o esquema de fraude era mantido por contratos de abastecimento de combustível nos veículos da prefeitura. Em um único serviço de abastecimento, uma retroescavadeira com capacidade máxima de 300 litros de combustível recebeu de uma única vez 1.679 litros, totalizando o valor de R$ 5.691, segundo inspeção do Tribunal de Contas dos Municípios à qual o MPCE teve acesso.

Combustível para amigos

O promotor de Justiça Hebert Gonçalves disse que o esquema consistia na emissão de vales de combustíveis para amigos e conhecidos dos envolvidos, com o fim de completar os tanques dos veículos particulares. Além disso, Uriel Martins, filho do prefeito, é suspeito de emitir vales para abastecimento de veículos da prefeitura e depois sacá-los em dinheiro, configurando o crime de falsidade documental, peculato, associação criminosa e usurpação de função pública, afirma o promotor Hebert Gonçalves.

Durante as investigações, a Polícia Civil encontrou uma arma de fogo na residência de um ex-presidente da Comissão de Licitação que não teve o nome revelado. Ele foi levado à Delegacia de Polícia e vai responder por posse ilegal de arma de fogo.

Além de promotores do Ministério Público, a operação Avalanche contou com a participação de mais de 100 policiais civis.


Fonte G1 Ceará

0 comentários:

Postar um comentário